Inserido numa família grande e numerosa, com tamanhos e feitios para praticamente todos os gostos e preferências, o pequenino 107 é proposta para quase passar despercebida. Ainda mais, devido aos seus 3,4 metros de comprimento (apenas mais 73 cm do que um Smart), 1,6 m de largura e 1,4 m de altura…
No entanto, a verdade é que são também as dimensões reduzidas que o tornam uma hipótese muito séria para todos aqueles que nasceram, vivem e morrerão citadinos, um ambiente onde não só a sua desenvoltura faz mossa nas promessas de muitos «grandes» (mas quanto a isso já lá vamos….), como ajuda a tornar mais alegres a divertidas todas as avenidas, ruas e becos por onde circula.
E, precisamente porque a imagem que se transmite também conta, o pequeno 107 foi alvo de uma actualização estilística, a começar, numa frente hoje em dia mais identificada com os restantes elementos da família do «leão» e onde sobressai agora um novo pára-choques, em que a matricula «caiu» para uma posição mais baixa, e com uma entrada de ar muito maior. Na versão Trendy, com uma moldura em metalizado em volta dessa entrada de ar, ajudando a projectar uma dianteira mais desportiva e agressiva.
O que este design não revela é, no entanto, a excelente habitabilidade que o pequeno Peugeot oferece para quatro adultos (ainda que com algumas limitações ao nível do espaço para as pernas), num habitáculo que, embora marcado pelo plástico, invariavelmente duro e algo agressivo ao tacto, não deixa de ser visualmente agradável. Mesmo não conseguindo esconder totalmente a existência de ruídos parasitas, explicados também na necessidade de conseguir um produto final suficientemente acessível…
Para alguns, esta mesma necessidade acaba por justificar até a fraca capacidade do porta-bagagens, limitada a uns míseros 139 litros, ainda que passíveis de serem aumentados, prescindido dos lugares traseiros – rebatíveis 50/50, contribuem para um habitáculo extremamente funcional, fruto também do óptimo acesso e dos muitos espaços de arrumação, maioritariamente abertos, elogiosamente básicos, tanto ou mais do que o equipamento de série. Que, até mesmo na versão mais equipada, não prevê sequer elementos básicos como o computador de bordo, os vidros traseiros de sistema elevatório, eléctrico ou manual, ou um comando do vidro lateral do passageiro da frente, na porta do condutor…
De resto, a prioridade à funcionalidade e espírito despachado nota-se, inclusivamente, na escolha daquele que é - tendo em conta o segmento em que o pequeno 107 se insere - o motor por excelência deste «leãozinho» - um 1.0 de 68 cv de potência (às 6000 rpm) e 93 Nm de binário (às 3600), que, «casado» com uma caixa manual de cinco velocidades (despida não só no aspecto, mas também nos cuidados quanto à agradabilidade na condução), é não só tanto ou mais do que agradavelmente poupado (fizemos médias a rondar os 5,5 litros, embora com muita auto-estrada à mistura), como também, em particular, uma garantia de irrequietude e resposta agradável aos desejos do condutor.
Especialmente em cidade, o pequeno «leão» sabe aproveitar-se da agradável disponibilidade do propulsor (desde que mantido acima das 2000 rpm) para se mover com suficiente rapidez e agilidade por becos e travessas, aproveitando não só as suas dimensões exteriores diminutas, como uma direcção de feelling agradável e peso correcto, assim como um sistema de travagem que dá boas garantias.
Já quando os caminhos à sua frente se alargam, seja por avenidas e alamedas, ou por estradas nacionais e auto-estradas, é vê-lo a avançar igualmente célere e despachado, ainda que revelando algumas deficiências em termos de insonorização do habitáculo, mas exibindo sempre um comportamento firme, estável e seguro… e até mesmo agradavelmente confortável. Isto, acrescente-se, desde que se evitem os maus pisos, onde o pequeno 107 se torna um pouco menos amigo dos ocupantes…
A culpa, no entanto, é não só da suspensão, mas principalmente dos bancos, demasiado rijos numa proposta que, pensada para cidade, não o foi para artérias como algumas das que temos na capital portuguesa. Mas, até nisso, é caso para recordar que, tal como muitos «grandes» são verdadeiros «inimigos» dos pisos degradados, os pequeninos também são gente… e têm, por isso, os mesmos direitos à indignação!
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