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Classe média volta a sonhar com importados

Classe média volta a sonhar com importados

Fim do imposto reduzido e facilidade de financiamento tornaram marcas como BMW e Audi mais próximas

Ter um carro importado não é mais privilégio de milionários. Por um valor próximo ao de um veículo zero nacional mais sofisticado, o cliente em busca de status e segurança consegue levar um seminovo importado. O fim da redução do IPI para modelos 2.0, que terminou em 31 de março, ajudou a equilibrar os preços e aqueceu o mercado.

De lá para cá, a procura aumentou 30% na revenda de importados da Capital Royal Motors, segundo o executivo de vendas Ricardo Rocha. Ele explica que o corte no imposto fez os modelos nacionais ficarem muito mais baratos do que os concorrentes de categoria importados.

Rocha observa que o perfil do cliente que busca um importado seminovo é classe média alta, profissional liberal, com idade entre 40 e 60 anos. Nas condições de pagamento, a loja oferece financiamento em até 60 vezes, mas a maioria dos contratos não passa dos 36 meses.

– Isso para os carros até R$ 120 mil. Para cima disso, e nos carros zero, pagam à vista ou financiam só uma parte – ressalta Rocha, cuja loja trabalha com marcas premium no mercado brasileiro, como Porsche, Infinity e Mini.

Na Breitkopf, revendedora da alemã Audi na Capital e em Blumenau, os negócios cresceram 25% desde o fim do IPI reduzido, segundo o gerente comercial Lúcio Osório. Ele diz que vendeu, há duas semanas, um modelo A4 de 2007 que estava parado havia quatro meses na loja. O preço? R$ 80 mil, valor próximo ao de um Honda Civic novo.

– O mercado de usados premium está aquecendo, tenho notado melhoria na procura. Geralmente, o cliente é uma pessoa que está em ascensão na carreira profissional, sempre teve carro bom de marcas tradicionais e agora cogita um importado. Entra primeiro num usado para depois pegar um zero – afirma Osório.

O financiamento em 24 vezes é o mais comum. Entre os preços, é possível encontrar importados desde R$ 40 mil a R$ 380 mil.

Mas ainda há quem prefira o carro zero. O gerente comercial da Top Car, Samir Elias, revendedor BMW, justifica que a facilidade de financiamento para os modelos novos é maior, além da garantia ser de fábrica.

Para ele, fica difícil oferecer um usado por um preço tão próximo ao do novo. Sem contar o custo da oficina, muito mais salgado para os estrangeiros. Se a peça de um carro nacional custa R$ 100, a de um importado pode chegar a R$ 10 mil, nos cálculos de Elias.

– Quem pode comprar um BMW 2004 por R$ 50 mil procura um nacional zero para fugir da oficina, porque o importado tem custo muito mais alto. Mas ainda assim, quem prefere o importado seminovo está em busca de status, segurança e condições técnicas bem superiores. É um sonho de consumo.

Elias observa que o preço do importado caiu este ano. Um BMW 320 novo, que custava R$ 121 mil, caiu para R$ 115 mil. Um modelo 120 2008 está na faixa de R$ 80 mil.

alicia.alao@diario.com.br

ALÍCIA ALÃO

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