(22-09-09, Frankfurt, Alemanha) - Pode um carro que já teve suas fotos divulgadas fazer sua primeira aparição pública como conceito? Se pode ou não, não sabemos. O que é certo é que foi isso que aconteceu com o novo Renault Fluence, o substituto do Mégane Sedan, que foi a Frankfurt como um carro totalmente elétrico. Ele e mais três carrinhos, que mostram que a marca francesa está empenhada em estar adiante da concorrência quando o assunto for mobilidade sem emissões.
ZE, nome que acompanha todos os conceitos, é exatamente isso: Zero Emissions, ou emissões zero. No Fluence, de todo modo, esse dado é o de menor importância. O que é realmente digno de nota, pelo menos para o Brasil, é que esse carro será fabricado na Argentina e vendido em nosso país. A data mais provável para que isso aconteça é 2011, mas bom seria se a Renault antecipasse o prazo para 2010.
Isso porque, no concorrido mercado dos sedãs médios, é preciso ter um produto que venda bem. Esses modelos, um pouco mais caros, oferecem margens de lucro melhores e também têm bons volumes de vendas. A Renault até tem um bom produto no mercado, o Mégane Sedan, mas ele nunca vendeu tanto quanto poderia. O Fluence tem estilo para angariar mais fãs.
No que se refere a sua aparição, como conceito, ele também faz jus a comentários. Isso porque o Fluence terá uma versão elétrica à venda, sim, mas não no Brasil. Como sempre, o que ouvimos em Frankfurt foi aquela ladainha de “o carro é muito caro”, “o Brasil é um mercado que ainda precisa amadurecer” etc. Não especificamente da Renault, mas sim de todas as empresas que consultamos a respeito das possibilidades do carro elétrico no Brasil. Não temos razões para achar que a empresa francesa responderia diferente.
A versão elétrica, entretanto, ainda não é o que vale elogios, mas sim o sistema “Quickdrop”, que pode ser visto nas fotos da galeria ao lado em que o Fluence aparece sobre uma plataforma. A ideia é simples como trocar as baterias do controle remoto da TV: você fará a mesma coisa com seu carro elétrico. Irá a uma estação de troca, onde as baterias sem carga de seus Fluence serão substituídas por outras, carregadas, em menos de 3 minutos. Abastecer o carro pode levar mais do que isso.
Assim, o Fluence pretende oferecer três opções de recarga: normal, na tomada de casa, levando 8 horas nas de 110V e 4 nas de 220V, a rápida, com um equipamento especial, que leva 20 minutos, e a do Quickdrop. A autonomia de uma bateria carregada é de 160 km, segundo a Renault.
Se a ideia vingar, a Renault poderá ser a pioneira no estabelecimento de um padrão de baterias para automóveis. Com isso, seus carros elétricos serão mais bem-aceitos que o de outras marcas, que ficarão obsoletos. Você já ouviu falar disso com as fitas de vídeo VHS e Betamax. Com automóveis, a coisa não vai demorar a acontecer do mesmo modo.
Ainda que esse seja o panorama futuro, as baterias ainda terão de enfrentar um problema sério: a autonomia baixa. Em uma viagem de 1.600 km, seria preciso parar o carro dez vezes. Tudo bem que viagens assim não são tão freqüentes, mas o incômodo de ficar parando com freqüência pode boicotar a popularização destes veículos.
Os outros
Além do Fluence, há outros três veículos conceituais elétricos da Renault em Frankfurt. O menor deles é o Twizy, de apenas dois lugares. Seu motor elétrico tem 20 cv (15 kW) e 70 Nm, o que, segundo a marca francesa, garante acelerações de moto. A Renault também se preocupa em dizer que o carrinho é seguro. Seria esse o concorrente da marca ao smart fortwo?
O segundo modelo é o ZOE. Hatch pequeno para quatro pessoas (e possível candidato a substituir o Clio), ele não oferece informações sobre sua motorização, mas sim sobre o sistema de climatização, que chega ao luxo de oferecer uma função “desintoxicante”.
Por fim, o Kangoo elétrico não é tão novidadeiro assim. Já apareceu antes e é destinado a motoristas profissionais. Tem 95 cv (70 kW) e 226 Nm.
Todos os veículos contam com o sistema Quick de “reabastecimento. Além dos elétricos, conseguimos ver também o Dacia Duster, que não tem nada a ver (infelizmente) com o utilitário que a Dacia fará na Europa e a Renault no Brasil, para enfrentar o EcoSport, e os novos Clio, Mégane e Scénic, que mostram como a linha brasileira, excluindo o Logan e o Sandero, está desatualizada. Quem sabe agora, mostrando à matriz que ela consegue vender bastante, não ganha o direito de ter produtos mais modernos?
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